domingo, 26 de outubro de 2008

Basta estar vivo

Felipe estava internado no CTI de um hospital pediátrico desde seu aniversário de oito anos.
Ao longo desses três intermináveis e duros meses de martírio, todos saíam abalados do leito 14.
Enfermeiras rezavam na capela, médicos faziam conferências com outros médicos para pelo menos tentar chegar perto da cura que parecia tão distante.
A mãe largou o emprego e trocou a casa pela poltrona da sala da recepção. O pai dobrou seu horário de trabalho para conseguir mais dinheiro e pagar os medicamentos de Felipe em sua nova casa.
A cada dia o seu quadro piorava: eram convulsões cada vez mais freqüentes, estava ficando cada vez mais fraco e começando a perder a voz. Comia cada vez menos e raramente sorria.
Chegou a notícia de que um médico russo chegaria para tentar um novo tratamento.
No dia anterior da chegada do médico russo, as unhas de Felipe começaram a cair e seus dentes amoleceram. O fim parecia próximo.
O médico russo era a única salvação.
Do aeroporto foi direto para o centro cirúrgico.
Durante a operação, todos no hospital foram para a capela interceder pelo sucesso da cirurgia, que só teria dois caminhos: ou a cura ou o descanso eterno para Felipe.
A tensão na mesa de cirurgia era proporcional à força da oração na capela. Enfermeiros, médicos, todas as mães das outras crianças, toda família de Felipe, até os porteiros e recepcionistas do hospital estavam numa profunda vigília.
Após sete longas horas, Felipe reagiu bem à cirurgia e sobreviveu. A comoção era geral. Os pais de Felipe falavam que deviam a vida ao médico russo.
Felipe iria voltar para casa em 48 horas.
O médico russo estava exausto e só pensava em descansar para voltar à Rússia.
Pegou um táxi na porta do hospital, eram quase 4 da manhã. Queria ir para o hotel mais próximo e dormir algumas horas.
Como num toque de mágica, um outro carro surge numa velocidade altíssima na contramão. O taxista não conseguiu desviar.
Ninguém sobreviveu.

3 comentários:

Anônimo disse...

Fala aê rapaz! Não esqueci seu blog não... rsrs. Abraços

Fê Ferro disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Fê Ferro disse...

Hehehehehehe...
Maravilhoso! Como sempre né primo?
=)

E q foto esquisita, hein?? Doidinho...